TELEPRESENÇA
Diz Ethevaldo Siqueira, colunista do “O Estado de São Paulo”: ”Imagine um sistema de comunicação audiovisual, futurista, altamente interativo, capaz de reunir pessoas em quatro cidades ou países diferentes, com imagens em alta definição em tamanho real, som digital e conexão feita a partir de um simples toque numa tecla num telefone com protocolo IP”.
“Esse sistema nada tem de ficção nem de futurológico, mas já existe e começa a funcionar em diversos países, inclusive no Brasil, no que poderia ser chamado de evolução da videoconferência”.
“O novo sistema de comunicação é resultado direto do avanço da tecnologia, das imagens digitais de alta definição, da disponibilidade de banda larga e do protocolo IP”.
“É impressionante a sensação de realidade que nos transmite esse tipo de comunicação. Depois de alguns minutos, não percebemos mais as telas do sistema nem as limitações de distância e do próprio ambiente. Parece que estamos numa reunião de verdade, entrevista coletiva ou mesa-redonda”.
A idéia de um sistema interativo com áudio e vídeo é antiga, mas sua realização tem enfrentado diversos problemas.
Ao longo das décadas de 1980 e 1990, foram desenvolvidas várias opções de sistemas analógicos de videoconferência, na Europa e nos Estados Unidos, para comunicação audiovisual entre duas ou mais cidades. Mas, por seu custo operacional elevado e a pouca flexibilidade, não fizeram grande sucesso. Mesmo assim, ainda existem centenas de sistemas convencionais de videoconferência em operação no mundo.
A evolução da tecnologia permite agora uma solução muito mais avançada, transformando-se no sistema de telepresença, que oferece imagens de TV de alta definição e que mostram as pessoas em tamanho natural e som digital direcional.
MIL APLICAÇÕES DA TELEPRESENÇA
Uma das aplicações mais freqüentes da telepresença é a substituição da maioria das viagens de trabalho de longa distância, nacionais ou internacionais, feitas hoje por executivos para participar de reuniões.
Em lugar da perda de dias inteiros em viagens de negócios, as reuniões poderão ser feitas com muito maior rapidez e freqüência, eliminando-se o desconforto dos aeroportos, os longos vôos internacionais e os custos elevados de hotéis.
Um caso concreto de aplicação do sistema de telepresença de âmbito internacional está sendo desenvolvido no Brasil e no mundo para interligação de 40 escritórios em 23 países, da Procter & Gamble, a corporação gigante de bens de consumo cujo faturamento anual é de US$ 76,5 bilhões.
· Educação - As possibilidades da telepresença na área educacional parecem ser ilimitadas. No Estado americano do Colorado, o sistema está sendo usado para o treinamento à distância de professores, com excelentes resultados.
· Telemedicina - Entre as aplicações mais freqüentes da telepresença na área de saúde estão hoje diversos casos de telemedicina e de cirurgia remota, com auxílio da telerrobótica. Ou mesmo em exames clínicos à distância.
· Publicidade e vendas - Para demonstrar o potencial de viagens turísticas ou de imóveis, nada melhor do que mostrar imagens reais de locais, instalações ou produtos distantes.
· Entretenimento - Com essa tecnologia, podem ser mostrados também parques naturais, recifes de coral ou cavernas naturais a serem exploradas, seja no caso de um simples entretenimento ou de uma forma de turismo virtual online.
UM EXEMPLO
Jill Smart, executiva da Accenture, tinha suas dúvidas quando entrou pela primeira vez na nova sala de videoconferência de sua empresa em Chicago para uma reunião com um grupo de colegas em Londres. Mas a videoconferência numa experiência tão real que Smart afirmou que "10 minutos depois você esquece que não está na mesma sala que eles".
A Accenture decidiu que seus colaboradores deveriam usar encontros virtuais para evitar, por exemplo, as 240 viagens internacionais e 120 vôos domésticos realizadas em apenas um mês, pondo um fim às incontáveis horas de cansativas viagens para seus funcionários e economizando milhões de dólares.
TELETRABALHO
Segundo a SOBRAT-Socidade Brasileira de Teletrabalho eTeleatividades teletrabalho é todo e qualquer trabalho realizado a distância, ou seja, fora do local tradicional de trabalho com a utilização da tecnologia de informação e de comunicação, ou mais especificamente, com computadores, telefonia fixa e celular e toda tecnologia que permita trabalhar em qualquer lugar e receber e transmitir informações, arquivos de texto, imagem ou som relacionados às atividades.
Teletrabalho é o mesmo que Home Office? Geralmente sim, mas não necessariamente. O trabalho a distância não determina um local específico para trabalhar, isso é definido de acordo com as características das atividades desenvolvidas pelo trabalhador e das necessidades da empresa. O teletrabalho pode ser desenvolvido:
· no domicílio do trabalhador,
· em escritórios descentralizados da própria empresa,
· em áreas gratuitas ou pagas de utilização de computadores e acesso à Internet (telecentros, cybercafés, bibliotecas, centros de convivência, etc).
· nas salas de espera ou mesmo do escritório de clientes – quando o atendimento aos clientes e fechamento de pedidos é feito online,
· em hotéis, saguões de aeroportos e rodoviárias,
· automóveis e outros veículos de transporte – quando o trabalhador encontra-se viajando a serviço, ou mesmo quando está viajando por razões pessoais.
O endereço eletrônico da SOBRATT é www.sobratt.org.br
QUALIDADE DE VIDA
Home-Office segundo André Brik.
Seja bem-vindo ao melhor de todos os mundos: flexibilidade, conveniência e controle sobre a sua vida.
· Esqueça os ônibus lotados e a fumaça dos engarrafamentos.
· Em um Home-Office você tem mais tempo para lazer e para praticar esportes, além de trabalhar no ritmo que definir. Reduza consideravelmente seu nível de stress.
· Produza em um ambiente com móveis e iluminação adequados e um silêncio aconchegante.
· Participe da educação dos seus filhos estando mais disponível para eles: ao optar entre “carreira” ou “filhos”, decida por ambos!
· Sinta-se mais relaxado e bem-humorado.
· Alimente-se de forma mais saudável (nada como uma comidinha caseira).
· O banheiro do seu escritório em casa é o seu próprio, que você usa na hora que quiser.
· E trabalhando no Home Office você tem mais tempo livre e de qualidade para curtir amigos e família.
· Qualidade de vida, em minha opinião, é o maior ganho do escritório em casa.
10 SEGUNDOS PARA CHEGAR AO ESCRITÓRIO
Segundo matéria do caderno “Cidades/Metrópole” do jornal “O Estado de São Paulo” de 1 de junho de 2008 podemos avaliar algumas experiências.
Cerca de 30 quilômetros de distância, 50 semáforos e muita paciência separam a casa de Fausto Mantovani, em Mauá, do prédio da IBM, na zona sul de São Paulo. No fim da década de 1970, quando começou a trabalhar na empresa, era sossegado fazer o percurso, mas, com o tempo, precisou acordar mais cedo e chegar uma hora e meia antes à IBM para não se perder nos congestionamentos. Agora, Mantovani leva dois minutos da cama ao escritório.
"A melhoria na qualidade de vida foi fantástica", diz o gerente, que se rendeu ao Home-Office há dez meses. Além de levar uma vida mais saudável, com a prática de exercícios físicos e menos stress, diz que o teletrabalho fez bem para seu relacionamento social.
Estabelecer regras e ter disciplina é fundamental. Mantovani montou escritório num ambiente separado e, quando a porta está fechada, é sinal de que não pode ser incomodado.
Os "sem-chefe" são os que mais se aproveitam do Home-Office. O headhunter Plínio Serqueira, de 51 anos, já teve um escritório no centro, mas em 2003 decidiu atuar de casa, em Alphaville (Barueri). "Já levei duas horas para fazer esse trajeto até o escritório. Hoje são dez segundos."
O psicólogo e diretor de Recursos Humanos Fernando Carvalho Lima, de 56 anos, trabalha em casa desde 1997, quando era funcionário da empresa canadense Nortel. Quando montou a própria empresa em 2006, optou pelo Home-Office. Com mais tempo em casa, Lima investiu em ser pai de novo: adotou três crianças. "Conciliei o trabalho à possibilidade de vê-las crescer."
QUEM PODE TRABALHAR EM CASA?
Estamos ainda tateando no escuro, mas quem já está colhendo os frutos, com as vantagens e desvantagens, passa a ser um entusiasta.
O teletrabalho é utilizado basicamente nas áreas de vendas e gerência, sendo exercido por gerentes técnicos, de mercado e vendedores especializados. Nos Estados Unidos, consultores, executivos, analistas e especialistas em informática são as principais atividades exercidas via teletrabalho.
A Kodak foi uma das primeiras empresas a implantar o teletrabalho no Brasil, em 1988, com toda sua equipe de vendedores.
A empresa instalou uma linha de telefone e um computador na casa de cada funcionário. Hoje, são quase 100 vendedores espalhados pelo Brasil trabalhando basicamente via Internet. Todos os funcionários que trabalham sob esse método têm vínculo empregatício, salário fixo e carro designado pela empresa.
A Siemens já conta com cerca de 400 vendedores trabalhando a distância, mas está estudando a implantação desse sistema nos cargos administrativos. Cada funcionário deverá estabelecer com sua chefia a melhor forma de exercer sua atividade, quantos dias da semana, por exemplo, poderá permanecer em casa, e como implementará suas tarefas.
QUEM NÃO PODE TRABALHAR EM CASA
Profissionais que têm que interagir constantemente com outros profissionais dificilmente poderão exercer suas tarefas plenamente de suas casas. Para conseguirem êxito no modelo de trabalho em casa é importante que sejam profissionais experientes, com alto grau de autonomia. Profissionais que precisam de acompanhamento e orientação não conseguem um bom desempenho. Isso sem contar as pessoas que têm dificuldade de concentração ou são desorganizadas.
Existem profissionais que nunca conseguirão trabalhar em casa. O perfil desejado para o teletrabalhador é de uma pessoa comprometida, que cumpre seus prazos e tem espírito empreendedor, ou seja, busque alternativas. A empresa também é responsável pela avaliação do perfil do profissional que pode trabalhar distante dela. Empresas que implantam o teletrabalho só pensando em redução de custos certamente não alcançarão bons resultados.
PREPARE-SE PARA ENCARAR DESAFIOS
Os maiores desafios no mundo do teletrabalho não estão na tecnologia, mas em quem usa a tecnologia para trabalhar a distância, ou seja, o profissional ou a empresa. Trabalhar em casa é a melhor coisa do mundo, mas não esqueça que sua família, e até seu cachorro devem concordar com essa decisão.
Isso quer dizer que não basta ir pra casa carregando o computador e mais uma linha telefônica, e pronto, problema resolvido. Em primeiro lugar, algumas questões precisam ser levantadas:
· quais as vantagens e desvantagens para os trabalhadores;
· de que maneira a família do profissional poderá ser afetada com essa decisão;
· de que forma a própria família afeta o rendimento do trabalhador;
· até que ponto é positivo fazer da residência – lugar desde sempre determinado como local de descanso – lugar de trabalhar;
· e a falta de contato com outras pessoas, não pode prejudica o indivíduo?
É inegável que há aumento de produtividade, uma vez que perde-se menos tempo no trânsito, para falarmos apenas de um aspecto positivo. Mas não é uma tendência tão absoluta como se tem falado. Um outro problema, que em um primeiro momento não é percebido, é que o trabalho em casa favorece a extensão da jornada de trabalho, pois se o profissional não delimitar seu tempo, corre o risco de ficar até altas horas na frente de seu computador.
AS ARMADILHAS DO TRABALHO A DISTÂNCIA
Disciplina é a palavra-chave. O funcionário tem que se impor limites, seja para trabalhar ou para parar de trabalhar. Outro fator é a informação. Em um primeiro momento, todos os funcionários se animam muito com a possibilidade de não precisar ir à empresa diariamente. Mas ele precisa ter claro no que implicará essa facilidade.
A distância dos colegas é um outro entrave para o trabalho em casa, porque as pessoas têm uma necessidade de interação que não costuma ser saciada com o teletrabalho. A Shell resolveu esse problema de uma maneira relativamente simples: criando o “Hora Extra”. Toda quinta-feira, das 17 às 20 horas, a equipe de vendas se reúne para um happy hour.
Além do happy hour, a empresa realiza, uma vez por mês, reuniões de confraternização, que podem ser cafés da manhã, almoço ou churrasco.
A Siemens, por exemplo, depois de perceber que seus funcionários sentiam certa carência afetiva por ficarem longe de seus colegas, orientou-os a comparecer à empresa pelo menos uma vez por semana, em esquema de rodízio.
Vantagens:
A principal é a redução de custo. Você elimina o transporte e alimentação da equipe. Corta também a necessidade do aluguel ou compra de uma sala, com mesas, cadeiras, computadores, armários, limpeza, IPTU, luz, condomínio, telefone.
Os profissionais gastam menos roupas, não vivem o stress das grandes cidades, sejam os engarrafamentos ou os assaltos. E ficam mais tempo com a família. Pode-se também contratar com uma mão-de-obra mais vasta, que extrapola os limites da cidade, estado ou país.
Para quem trabalha em casa:
· Mais tempo disponível para fazer coisas que antes você achava impossível.
· Você ficará livre do trânsito e dos engarrafamentos, além, é claro, de reduzir os custos com transporte.
· Colocará à prova sua autonomia, com menos pessoas controlando seus passos.
· Nos dias de chuva e de grandes engarrafamentos, é uma dádiva.
· Viverá mais feliz, menos estressado (só essa vantagem já basta, não é mesmo?).
Desvantagens:
Há o problema da falta do convívio social, nem todos se adaptam. O trabalho precisa ser bem distribuído e acompanhado.
Exige um treinamento diferenciado dos gerentes, pois sempre há a paranóia que do outro lado não se está trabalhando.
Há também o custo necessário de um software para administrar todo o processo.
O trabalho, obviamente, estando todos na mesma sala, teoricamente, pode render mais em determinados momentos, principalmente em trabalhos mais interativos.
Ou seja, vai depender muito do perfil das atividades da empresa para avaliar quando e como operar a distância.
Creio que é uma política de vida, tem gente que adora sair de casa para trabalhar. Ou, pelo menos, acha que adora.
No Brasil, a legislação ainda não sofreu alterações. A falta de atenção do Poder Público sobre o assunto tem feito com que aumente o número de reclamações trabalhistas por estes empregados, reivindicando, por exemplo, o pagamento de horas extras.
Para quem trabalha em casa:
· E agora, com quem você vai falar sobre suas dúvidas e angústias profissionais?
· A carência afetiva pode lhe pegar de surpresa.
· Sabe o dinheiro extra que você embolsa com os vales transporte e refeição? Esqueça. Você não precisa mais disso.
· A distância da empresa pode afetar a integração com sua equipe de trabalho.
O TRABALHO À DISTÂNCIA E A CRIAÇÃO DE EMPREGOS
Você já ouviu algum político defender o incentivo ao teletrabalho como fator de criação de emprego, diminuição do estresse urbano e melhoria da qualidade de vida?
Um escritório empresarial repleto de computadores, com todo mundo de olho na tela: o que esse povo está fazendo aqui? Não poderiam produzir de casa, usando bermudas e chinelos?
Hoje, 20 milhões de americanos já trabalham longe do escritório. Ou ficam em casa, ou operam em telecentros, próximos de suas residências. Nos Estados Unidos, o teletrabalho é praticado há 20 anos.
O tema trouxe ao Brasil o especialista americano Gil Gordon, para uma série de palestras em São Paulo.
Para ele, o teletrabalho é uma opção seletiva e, por isso, a escolha dos empregados que irão usufruir desse benefício deve ser baseada em critérios muito bem definidos pelos dirigentes empresariais.
Destacam–se, entre eles, a habilidade para cumprir prazos, a automotivação e a independência para agir.
Segundo o consultor, as maiores barreiras que o Brasil enfrenta nesse segmento é, principalmente, a legislação trabalhista, considerada muito complexa e o preconceito ainda existente por parte dos trabalhadores e de algumas lideranças empresariais.
PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS
O teletrabalho pode contribuir para o emprego de portadores de necessidades especiais.
A OPORTUNIDADE DOS TELECENTROS
Os telecentros são unidades prestadoras de serviços que oferecem espaço para locação ou mesmo para compra. Além do espaço tornam possíveis diversos serviços de apoio para uso exclusivo ou compartilhado. Servem para empresas e para profissionais autônomos.
A locação de espaço em telecentros é uma oportunidade de negócios a ser considerado para novos empreendimentos de prestação de serviços.
Os governos deveriam incentivar a criação de telecentros como forma de ampliação de empregos e para diminuir o deslocamento de pessoas e melhorar as condições do trânsito dos centros urbanos.
JÁ SÃO 10 MILHÕES DE TELETRABALHADORES
A partir de dados gerais sobre o acesso dos brasileiros a computadores e a Internet levantados por diferentes pesquisas de diferentes instituições a SOBRATT-Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades tem realizado alguns cruzamentos que permitem fazer uma estimativa também genérica de que o Brasil, conta, em 2008, com aproximadamente 10 milhões e seiscentos mil teletrabalhadores.
No mês de junho de 2008, o instituto Market Analysis divulgou dados da pesquisa realizada sobre teletrabalhadores no Brasil que apontam que pelo menos 23% da população adulta em atividade no país adota ao longo do mês alguma forma de teletrabalho, sendo que, entre todos, o trabalho em casa é a modalidade mais comum (52%).
EMPRESAS QUE ADOTAM O TELETRABALHO
Informação da SOBRATT. São várias as empresas que trabalham no sistema de teletrabalho. Embora nem todas divulguem a adoção dessa forma de trabalho flexível, temos conhecimento das que seguem: · AT&T- · BT Global Service - · Cisco - · DELL - · Du Pont - Ernest & Young - · HP - · IBM - · Marry Linch - · Merck - · Natura - · Nortel - · Polycom - · Semco - Serpro - · Shell - · Sonicwall - · Symantec - · Telejob.
IMPACTO NOS SINDICATOS
Para os sindicalistas, o trabalho à distância é um dificultador adicional de suas atividades que, devido aos novos processos em curso na sociedade contemporânea, têm se enfraquecido, conforme atestam a queda do número e da proporção de trabalhadores sindicalizados, bem como o declínio das greves.
São inúmeros os fatores responsáveis por essa situação, as mudanças na estrutura do emprego provocadas pelo avanço tecnológico e a automação é um deles. Com a redução do número de trabalhadores manuais, que sempre apresentaram maior propensão à sindicalização, os sindicatos estão enfrentando um quadro de extrema adversidade, com muitas dificuldades em criar alternativas para essa conjuntura.
Se já é difícil realizar a organização dos trabalhadores a partir dos locais de trabalho, com o teletrabalho o desafio é ainda maior, porque o isolamento dos trabalhadores dificulta sobremaneira as ações sindicais.
Quem sabe a mobilização será feita através de correio eletrônico e o teletrabalhador irá cruzar os braços em sua residência e a reunião se dará em lugar público.
Há legislação no Brasil regulamentando o teletrabalho?
Atualmente um projeto de lei está em tramitação, já passou pela Câmara dos Deputados e aguarda análise do Senado Federal. O projeto de lei tem como único fim equiparar o trabalho realizado a distância e aquele realizado no estabelecimento do empregador. Entretanto a CLT não impede o trabalho remoto em domicílio, uma vez que a redação atual do artigo 6º diz que “Não se distingue entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador e o executado no domicílio do empregado, desde que esteja caracterizada a relação de emprego”.
Portanto, se analisada a atual legislação, pode-se observar que há espaço para se incluir legalmente o teletrabalho nas rotinas da empresa, todavia, é importante celebrar um adendo ao contrato de trabalho especificando as novas condições em que os serviços serão prestados, de maneira a dar credibilidade às ações da empresa e estimular o comprometimento do trabalhador.
PORQUE O MODELO NÃO DECOLA MAIS RAPIDAMENTE?
A intelectualização do trabalho que deixa as tarefas repetitivas para as máquinas cria condições ainda mais propícias para esta nova maneira de trabalhar. Os benefícios são óbvios: menor tempo em locomoção e no trânsito, possibilidade de trabalhar em um local agradável e perto da família e horários flexíveis, além de menores custos imobiliários e operacionais para as empresas.
Com todos estes fatores conspirando a favor, por que este modelo não decola mais rapidamente? A história já demonstrou diversas vezes que, quem limita o ritmo da evolução não é a disponibilidade tecnológica, que geralmente está algum tempo adiante das práticas correntes; mas o comportamento humano e sua capacidade de absorver mudanças. E aí está o grande primeiro desafio do trabalho à distância: a dimensão cultural.
Fomos educados para valorizar o trabalho; e existe um paradigma construído em décadas: trabalho acontece na empresa e vida pessoal, fora dela. Quem está trabalhando em casa não se sente trabalhando. Por muitas vezes sente-se envergonhado por estar em casa.
É possível ouvir histórias de pessoas que não conseguem trabalhar de bermuda, ficar sem sapato e no limite precisam colocar sua gravata para reforçar a idéia de que não estão passeando.
Além disso, organizar a convivência pacífica e produtiva com a família não é tarefa fácil. Todos na casa precisam entender que por longas horas a pessoa está cumprindo seu papel profissional, caso contrário as interrupções se tornam constantes e até irritantes.
Mas tudo leva a crer que em algum momento estes hábitos começarão a mudar impelidos pelas novas gerações ávidas por quebrar paradigmas e mais inclinadas às novas tecnologias.
Em tempo. Sempre é bom lembrar de perguntar ao cachorro o que está achando disso tudo.
Um comentário:
Gostei muito dessa metéria, pois estou fazendo minha monografia em teletrabalho, ela veio me tirar algumas duvidas. Obrigada e parabéns!
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